A Cisco anunciou uma atualização importante no CCNA. A versão 200-301 CCNA v2.0 terá sua primeira data de prova em 3 de fevereiro de 2027 e, segundo a própria empresa, representa a mudança mais significativa já feita em uma das certificações de redes mais reconhecidas do mercado.
O objetivo declarado é direto: preparar profissionais para atuar desde o primeiro dia de trabalho, com foco em execução prática, diagnóstico de problemas, segurança e operações apoiadas por inteligência artificial.

Essa mudança não elimina a base tradicional do CCNA. Pelo contrário, a Cisco afirma que o novo blueprint parte dos fundamentos e amplia o escopo para refletir o trabalho real do profissional de redes. Portanto, a atualização não trata apenas de adicionar novos temas. Ela reorganiza a certificação em torno de competências operacionais que a empresa considera mais alinhadas às exigências atuais do mercado.
Do operador ao orquestrador de redes
Um dos conceitos centrais apresentados pela Cisco para explicar o novo CCNA é a transição do profissional de redes de “operador” para “orquestrador”. Em termos práticos, isso significa que saber configurar, proteger e solucionar falhas manualmente por linha de comando continua sendo essencial. No entanto, esse papel agora se expande para incluir a capacidade de trabalhar com sistemas inteligentes, avaliar recomendações automatizadas e conduzir ambientes cada vez mais autônomos.
A Cisco resume esse movimento com uma pergunta objetiva: o profissional consegue resolver um problema em produção sob pressão, avaliar a recomendação de um assistente de IA e identificar quando ela está errada? Além disso, consegue proteger o ambiente desde a concepção, em vez de tratar segurança como etapa posterior? Esse é o tipo de prontidão que a empresa associa ao conceito de profissional “job-ready”.
Essa leitura é relevante porque desloca o valor da certificação. Em vez de priorizar apenas memorização de comandos ou conceitos isolados, o CCNA v2.0 passa a enfatizar a aplicação dessas habilidades em situações reais. Assim, a proposta da Cisco não é validar apenas o que o candidato sabe descrever, mas o que ele consegue executar com consistência em cenários práticos.
O que entra no novo blueprint
O conteúdo oficial do 200-301 CCNA v2.0 informa que o exame continua com 120 minutos, custa US$ 300, está disponível em inglês e japonês e pode ser usado para fins de recertificação. A Cisco também informa que os resultados de aprovação ou reprovação costumam ficar disponíveis online em até 48 horas. Além disso, o exame trará formatos variados de questão, incluindo avaliações práticas, múltipla escolha e drag-and-drop.
No conteúdo programático, a nova versão cobre seis grandes áreas:
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Network Infrastructure & Connectivity com 25%
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Switching and Network Access com 25%
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IP Routing com 20%
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Network Services and Security com 20%
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AI and Network Operations com 10%
A Cisco destaca que esse modelo deve ser lido como uma estrutura de competências de campo, e não apenas como uma lista de assuntos. Por exemplo, o exame inclui tarefas como diagnosticar problemas de interface e cabeamento em cobre e fibra, solucionar falhas de endereçamento IPv4 e IPv6, lidar com DHCPv4 em clientes, servidores e relay em dispositivos IOS, configurar conectividade entre switches e roteadores, validar documentação com CDP e LLDP e interpretar tabelas de roteamento para determinar o próximo salto de um pacote.
Também aparecem tópicos que reforçam a aderência ao ambiente atual, como virtualização com hipervisores, máquinas virtuais e containers, troubleshooting de conectividade cabeada e sem fio em Windows, MacOS e Linux, além de operações com OSPFv2, OSPFv3, HSRP e VRRP. Com isso, o blueprint preserva fundamentos clássicos, mas os organiza em torno de tarefas de operação, validação e correção.
Troubleshooting, segurança e IA no centro
A Cisco afirma de forma explícita que troubleshooting e resolução de problemas deixaram de ser complementos para se tornarem habilidades centrais do novo CCNA. Segundo o texto de anúncio, empregadores consultados valorizam mais quem consegue isolar um problema com rapidez do que quem apenas repete uma configuração de memória. Essa mudança de ênfase ajuda a explicar por que diversos tópicos do novo conteúdo aparecem formulados como atividades de diagnóstico, interpretação e correção.
A segurança também passa a ser tratada como elemento transversal. Em vez de ficar isolada em um bloco final de estudos, ela aparece distribuída ao longo do blueprint. Isso inclui AAA com TACACS+ e RADIUS, transferência segura de arquivos com SFTP e SCP, NAT/PAT, ACLs IPv4, IPsec e mecanismos de segurança de camada 2, como DHCP snooping, Dynamic ARP inspection, storm control, RA guard e port security. Além disso, o anúncio reforça que proteger o ambiente “by design” é parte do perfil esperado.
Outro eixo novo e claramente destacado é a presença de IA no exame. O blueprint inclui o papel da agentic AI em operações de rede, a seleção de prompts adequados para sistemas de IA generativa e a interpretação de elementos relevantes para essas interações, como classificação dos dados, formato de saída, persona e instruções. A Cisco também associa esse domínio ao entendimento de abordagens de gerenciamento, ao uso de mecanismos como Ansible, à função do SNMP e à interpretação de mensagens syslog, seus níveis de severidade e facilities.
O que a Cisco recomenda para quem está estudando
A orientação oficial para quem está estudando o CCNA v1.1 é continuar. A versão atual seguirá válida até fevereiro de 2027 e essa certificação permanece respeitada e reconhecida. Portanto, quem já iniciou a preparação para a versão vigente não precisa interromper o plano.
Para quem deseja se preparar para o novo exame, a empresa informa que publicará materiais introdutórios, trilhas com prática baseada em cenários e tutoriais sem custo no Cisco U. entre o período do Cisco Live U.S. e fevereiro de 2027. Além disso, a Cisco planeja atualizar a série de três cursos do NetAcad.com com os novos tópicos antes do fim de 2026.
No fim, a mensagem da Cisco é bastante objetiva: o novo CCNA quer certificar profissionais capazes de diagnosticar sob pressão, operar com segurança, trabalhar ao lado de ferramentas de IA e demonstrar habilidade aplicada. Em outras palavras, a atualização tenta aproximar ainda mais a certificação do dia a dia real das operações de rede.