A Cisco publicou, em 21 de outubro de 2026, um pacote de correções para vulnerabilidades encontradas no Snort 3. O alerta recebeu classificação crítica e reúne quatro grupos de falhas, com pontuação CVSS de até 9,0.
Os problemas afetam não apenas a versão aberta do Snort 3, mas também vários produtos que incorporam sua tecnologia de prevenção contra intrusões. Entre eles estão Cisco Secure Firewall Threat Defense, Cyber Vision, Meraki MX, Secure Access, Cloud-delivered Firewall e Unified Threat Defense no IOS XE.

Segundo a empresa, não existem soluções alternativas para mitigar as vulnerabilidades. Portanto, administradores de ambientes afetados devem verificar as versões instaladas e aplicar as atualizações indicadas.
Quatro classes de vulnerabilidades
A Cisco agrupou as falhas conforme suas classes na Common Weakness Enumeration, atribuindo um identificador CVE a cada grupo. A pontuação informada para cada CVE representa a maior gravidade potencial entre as vulnerabilidades daquele conjunto.
Duas classes atingiram CVSS 9,0:
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CVE-2026-20236: erro de cálculo, classificado como CWE-682;
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CVE-2026-20043: escrita fora dos limites de memória, classificada como CWE-787.
Além disso, o pacote corrige outros dois grupos:
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CVE-2026-20291: gerenciamento inadequado de privilégios, com CVSS 7,8 e classificação CWE-269;
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CVE-2026-20356: consumo descontrolado de recursos, com CVSS 7,5 e classificação CWE-400.
O vetor divulgado para as falhas de maior gravidade indica que um ataque pode ocorrer pela rede, sem autenticação e sem interação do usuário. Contudo, a complexidade do ataque é considerada alta. Uma exploração bem-sucedida pode afetar confidencialidade, integridade e disponibilidade.
A Cisco não publicou no alerta uma descrição técnica individual de cada vulnerabilidade subjacente. Por isso, não é possível afirmar, com base apenas nesse documento, quais pacotes ou fluxos de tráfego poderiam acionar cada falha. A empresa também observa que poderá divulgar alertas separados com informações adicionais.
Produtos e versões corrigidas
As vulnerabilidades afetam os produtos listados no alerta independentemente da configuração do dispositivo. No caso do Snort 3 de código aberto, a primeira versão corrigida é a 3.12.4.0.
Para o Cisco Cyber Vision, instalações anteriores à linha 5.6 devem migrar para uma versão corrigida. A versão 5.6.0 já inclui as correções.
No Cisco Secure Firewall Threat Defense, a versão adequada depende da linha em uso:
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7.0 e anteriores, atualizar para > 7.0.10;
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7.2 atualizar para > 7.2.12;
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7.4 atualizar para > 7.4.8;
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7.6 atualizar para > 7.6.6;
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7.7 atualizar para > 7.7.13;
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10.0 atualizar para > 10.0.2;
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10.1 atualizar para > 10.1.0.
O Unified Threat Defense no Cisco IOS XE também recebeu correções específicas. As primeiras versões corrigidas são 17.12.8, 17.15.6, 17.18.5, 26.1.2 e 26.2.1, conforme a linha instalada.
Por outro lado, clientes do Cloud-delivered Firewall e do Cisco Secure Access não precisam executar nenhuma ação. A Cisco informa que todas as instâncias desses serviços receberam automaticamente o pacote atualizado do Snort 3 em 21 de outubro de 2026.
O mesmo princípio se aplica aos appliances Meraki MX. Os equipamentos listados no alerta, desde que estivessem online e conectados ao Meraki Dashboard, receberam o pacote automaticamente. Portanto, não é necessário baixar manualmente um firmware ou pacote do Snort 3 para esses dispositivos.
A empresa confirmou ainda que o Snort 2 não é afetado. Entretanto, essa versão já chegou ao fim de sua vida útil.
Ausência de solução alternativa reforça prioridade
A inexistência de uma solução alternativa torna a atualização o único procedimento de correção indicado no advisory. A Cisco recomenda migrar para as versões corrigidas a fim de eliminar a exposição descrita e evitar exposição futura relacionada a essas falhas.
Antes da mudança, as equipes devem confirmar se o equipamento dispõe de memória suficiente e se a configuração atual continuará compatível com a nova versão. Além disso, ambientes com diferentes linhas de software exigem atenção à correspondência entre a versão instalada e a primeira versão corrigida.
O alerta também distingue serviços atualizados automaticamente de produtos que dependem de intervenção administrativa. Essa separação ajuda a priorizar o trabalho: primeiro, identificar instalações do Snort 3, FTD, Cyber Vision e UTD; depois, comparar cada versão com a tabela oficial; por fim, planejar e executar as atualizações necessárias.
Não há exploração conhecida, mas o risco permanece
Até a publicação do comunicado, o Cisco Product Security Incident Response Team não tinha conhecimento de anúncios públicos ou uso malicioso dessas vulnerabilidades. As falhas foram encontradas durante testes internos de segurança, que empregaram processos já existentes e modelos avançados de inteligência artificial.
A ausência de exploração conhecida reduz a evidência de ameaça imediata, mas não elimina o risco técnico. Como existem falhas críticas, não há mitigação alternativa e as correções já estão disponíveis, a recomendação objetiva é tratar a atualização como prioridade operacional.
Administradores devem consultar o alerta oficial da Cisco antes da implantação. O documento concentra a relação validada de produtos afetados e versões corrigidas.